conversas da tecla...

20050919

|pedrada.no.fogareiro

- Então pr'ond'é que vai ser?
- Olhe é pr'á Conde Valbom. Você sobe aqui pela Infante Santo, depois segue pelo Rato até ao Marquês de Pombal, sai pr'á Fontes Pereira de Melo, mete pela António Augusto d'Aguiar, vira à direita em direcção à Duque d'Ávila, mas não continua, vira logo na primeira à esquerda como se fosse pá Gulbenkian, depois vira na primeira à direita em direcção à Marquês de Tomar e aí a meio caminho tem um beco à esquerda que vai desembocar na Miguel Bombarda. Eu fico nessa esquina porque a Conde Valbom é só pa peões.
- Ó amigo, não é que você não tenha razão, mas quer-me parecer que se metermos já aqui pela Avenida de Ceuta em direcção à Praça de Espanha, vamos apanhar a Avenida de Berna, metemos à direita a seguir à Igreja de Fátima e vamos logo dar ali à Miguel Bombarda, mas você é que sabe, prefere ir por dentro?
- Eu sinceramente deixo ao seu critério, mas a verdade é que pela Avenida de Ceuta, parecendo mais simples, acabo sempre por pagar mais, não consigo perceber.
- O amigo é que sabe, vamos então por dentro. Como é que disse que era?

20031124

|pedrada.no.porteiro

Adoro porteiros de discoteca, esses animais.
Espécie longe da extinção, vive de mostrar ao pobre a vergonha que é não ser rico e ao rico a falta de rigor na selecção da sua indumentária. É uma criatura dícicil de domar pela falta de critério que revela nas suas atitudes. Não vale a pena a argumentação. Qualquer composição frásica com mais de duas palavras vê-se respondida com cinco dedos bem apertados. Besta de cabeça pouco erguida, avalia as diferentes espécies pela cobertura das patas posteriores. O peito inchado, ao contrário de algumas espécies de símios, não é um convite ao acasalamento, nem tão pouco um símbolo de dominação para outros machos. É apenas o efeito secundário de um tratamento hormonal mal sucedido. O objcetivo era a injecção de um segundo neurónio na cavidade encefálica que automaticamente o rejeitou, indo aquele alojar-se na caixa toráxica do bicho. A reacção foi estranha e desencadeou um desenvolvimento anormal do tecido mamário. Animal de um só dono, obedece cegamente às ordens deste, mesmo que conducentes à miséria do mesmo. Não avalia as situações pela especificidade das mesmas. Tende a actuar por instinto de forma irritantemente repetitiva. A tudo isto, junta-se o facto de ser a menos afável das espécies urbanas. Estranho mesmo é que bicho de tal rês continue em franca expansão. Parece que toda a gente quer ter um. Certas ruelas que conhecemos têm um... porta sim, porta sim.
Tá mal... todos sabemos que a posse de animais selvagens é ilegal. Não haverá por aí um ou outro caçador furtivo que os meta a todos em devida jaula para observação segura, à distância? Para observatório não me parece uma espécie má de todo. Impossível é a coabitação.

20031110

|pedrada.no.merceeiro

No merceeiro, no padeiro, no mecânico e em todos aqueles que se servem de um balcão de atendimento para nos vir aos bolsos sem dó nem piedade.
Coitadinhos... vivem dias difíceis... o comércio tradicional já não é o que era e por isso qualquer mijadela fora do penico lhes será perdoada quando, um dia, tiverem contas a acertar com o criador.
"Impostos. Quando todos pagam, todos pagam menos."
É com este slogan que o Ministério da Finanças quer ver correctamente tributados os impostos que recaem sobre o consumo de bens e serviços.
Tudo bem. Se é uma campanha que visa o bem comum, apoio incondicionalmente.
Porém, a mesma campanha, dirigindo-se como se dirige ao consumidor - "Peça sempre factura." - não estará a culpabilizar o inculpável? Porque é que havemos de ser nós, que pagamos IVA em todas as compras que fazemos, a ter que desconfiar de todos os comerciantes? Será que, além de vermos o custo das nossas aquisições redobradas pelas cargas fiscais, ainda temos que pedir "por favor" para não sermos roubados?
- Ó Sr. comerciante, dê-me a factura por favor para eu ter a certeza que o Sr. não me está a roubar o imposto que estou a pagar. Pode ser? Se não for incómodo, claro...
Mas isto cabe na cabeça de alguém? Não seria muito mais correcto dirigir a campanha aos negociantes? "Dê sempre factura" devia ser o lema da campanha. Afinal de contas os criminosos são eles por meterem no bolso o imposto que é de todos.
Pior só aqueles que, para além de não passarem factura, ainda se negam a passá-la depois de pedida. As desculpas são sempre as mesmas: o sistema deu o berro, o patrão não autoriza, não está cá a menina da contabilidade, acabou o livro, etc, etc. Para cúmulo ainda há os que têm a lata de ameaçar: "com factura émais caro".
Se o objectivo é alterar hábitos, alterem-se os hábitos de quem prevarica. Quando é para elaborar tabelas de preços, todos Incluem IVA à taxa em vigor. Quando é para passar factura, o murcão do cliente é que tem que pedir.
Depois queixa-se o comércio tradicional que os novos consumidores só querem shoppings e hipers. Tomara. Para além de não quererem aprender como renovar e melhor comunicar os seus negócios, no sentido de atraír os novos consumidores ávidos de qualidade e exigentes por natureza - nós - ainda fazem tudo para roubar os poucos clientes que sobram, num total desprezo pela fidelidade destes.
Aos vendedores digo:
Não se atrevam a não passar factura. É crime e é punível.
Aos consumidores proponho:
Quando não vos derem factura, não paguem. Se chamarem a polícia, logo se verá quem é o ladrão.

20030820

|assim.se.blogga

Caros bloggistas!

Este é o meu manifesto de integração. Nunca achei piada ficar para trás. E quando as ferramentas me são oferecidas sinto-me na obrigação de as agarrar, explorar e rentabilizar. Por isto, também eu decidi embarcar na onda da bloggomania.
Por outro lado, conto com este espaço para me dedicar a algo que, permitindo-me um agradável deleite, me tem merecido cada vez menos entrega. Simplesmente, escrever.

Sejam muito bem-vindos.